Siga seu coração! – #11

FlorianopolisQuando pensamos no roteiro da viagem, decidimos que iríamos evitar a entrada em capitais ou cidades grandes. Era uma questão de praticidade e segurança. Principalmente devido ao trânsito mais intenso e rápido que teríamos que enfrentar nessas regiões. Por isso, Florianópolis era uma dúvida constante em nosso planejamento. Dúvida porque é nossa cidade do coração, somos apaixonados pela Ilha. E a ideia de passar por ela só na beiradinha estava nos deixando com pena. O coração estava vibrando de emoção pela possibilidade de passar alguns dias em Floripa, mas a razão estava martelando na cabeça falando para evitarmos a capital e seguirmos direto para Palhoça.

Decidimos seguir a razão, avançar ao invés de ir para Floripa. Mas essa decisão parecia que não estava soando bem…

Marta Teixeira (do blog Vida Pedaleira: sem eira nem beira) havia nos convidado a, caso entrássemos em Floripa, ficar hospedados em sua casa. Seria lindo, pois, além de aproveitar a Ilha, iríamos poder conhecer a Marta pessoalmente. Ela também é cicloviajante e uma inspiração para nós. Gostaríamos muito de conhecê-la pessoalmente e poder conviver alguns dias com uma pessoa que já tinha experiência na estrada de bike. Quando vi seu convite, o coração ficou cheio de vida com essa possibilidade.

Mas aí, veio a razão com um balde cheio de gelo para jogar na emoção, gritando na cabeça para evitar a capital. Eu estava angustiada com tudo isso porque eu queria muito passar um tempinho na cidade que me proporcionou tantas alegrias na época em que moramos lá. Iríamos conhecer a Marta, rever nossos amigos e sentir novamente a energia da Ilha. Quer motivos mais especiais que esses? Então?…

Então decidimos mesmo seguir a razão e lá estávamos nós: passando direto pela entrada de Florianópolis, já a 5 Km do trevo de Palhoça. Nesse momento, pedi ao Universo que me desse um sinal que ajudasse na decisão de seguir em frente ou de dar meia volta e aceitar o convite da Marta.

 

O Sinal:

Siga seu CoraçãoAcredite, não se passaram nem dois minutos e escutei um barulhão: Pow!
Meu pneu explodiu. Não foi a câmara que furou, foi o pneu que explodiu! A bicicleta estagnou.

Fiquei ali, parada sem saber muito o que pensar. E arrepiada por ter sido atendida com um sinal tão significativo me obrigando a parar tudo e respirar! Pra nossa sorte, isso aconteceu em frente a um local grande em que pudemos ficar tranquilos até resolver o problema do pneu. E, felizmente, tínhamos o pneu reserva que o Mercadinho da Bici havia nos presenteado. O local era uma concessionária de veículos e os funcionários foram super atenciosos e gentis conosco. Dentre eles Jhonny Campos, com quem conversamos bastante e acabamos nos tornando amigos. Eles nos ofereceram água, banheiro e até banho se quiséssemos nos refrescar, pois estava um dia muito quente.

Ficamos parados mais ou menos uma hora e, nesse meio tempo, Marta entrou em contato por WhatsApp nos aconselhando a pensar melhor e aceitar o convite dela. Olhamos no mapa e vimos que sua casa estava a 50 km dali. Nunca tínhamos pedalado essa quilometragem antes e já tínhamos feito 15 km no dia. Ou seja, sabíamos que não estávamos preparados para essa pedalada. Ainda mais que seria um trecho de muitas subidas. Quando íamos explica-la sobre o motivo de não podermos aceitar o convite, ela enviou outra mensagem dizendo que poderia nos encontrar na rodoviária e nos dar uma carona de carro até a casa dela. Levaria tudo no carro: a gente, os cães, as bicicletas e o bike-trailer. A rodoviária em questão ficava a apenas 15 km dali.

Fiquei tão feliz com a ideia que parecia uma criança ganhando um chocolate fora de hora! Aceitei! Já marquei tudo com ela e com isso, lá estava o sinal dando boas-vindas! Tudo aconteceu naturalmente, sem forçar uma situação e tudo foi se moldando para dar certo.

Trocado o pneu, seguimos para a entrada de Florianópolis. Atravessamos a ponte Hercílio Luz e, lá mesmo, cruzamos com um cicloviajante vindo na direção contrária que nos dizia: “bem-vindos a Floripa”! Não me contive e as lágrimas caíram. Foi tudo tão especial que não tinha como não se emocionar.

Marta TeixeiraChegamos na rodoviária e entramos em contato com a Marta sem saber que ela estava bem do nosso lado. Foi muito emocionante! Um filme passou pela minha cabeça em segundos: tudo que vivi enquanto morava nessa cidade se aflorou. E saber que eu cheguei até lá de bicicleta, com minhas próprias pernas, desde Blumenau… foi muito emocionante! Fiquei orgulhosa de mim mesma!

Foi um aprendizado para a vida: de que devo sempre seguir meu coração, aceitar e acreditar que tudo vai acontecer da melhor maneira possível. E não deixar a razão me sabotar e dominar o que há de mais lindo, que é deixar o coração vibrar!

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