Número dois sem privada: minha primeira vez – #07

Minha primeira vezNão pedalamos muito e logo chegamos na estrada de chão. Fomos pedalando e pedalando e estava tudo muito agradável! Sem poluição, sem barulho de carro, só o ar puro do campo e canto dos pássaros! O sol como de costume, estava de rachar!

Em determinado momento, quando estávamos com muito calor, eis que surge, do nada, o som de um carro de picolé anunciando seus produtos! Achamos que estávamos perdendo a sanidade por causa do calor, que era uma miragem auditiva! Quando viramos, lá estava o carro, indo embora! Chamamos e ele parou. Fomos até lá e compramos um picolé cada um. O rapaz que vendia os picolés confessou que ligou o som porque tinha nos visto passar. Caímos igual dois patinhos! Ainda bem! Depois do picolé, seguimos na estrada de chão. Tirando o sol muito forte, estava tudo perfeito.

Na hora do almoço, vimos uma casa em construção que parecia estar abandonada. Fomos até os vizinhos, pedimos água e permissão para ficarmos ali na construção por um tempo. Ganhamos água gelada e fomos preparar nosso almoço. Deixamos as bicicletas do lado de fora e entramos na casa em construção.

Já tinha paredes e laje, tudo ainda com o concreto á vista. Andamos pelos cômodos da casa para escolher um lugar onde ficaríamos mais confortáveis para almoçar. Escolhemos a cozinha! Ou o que parecia ser a cozinha… No fundo da casa, uma paisagem linda! Um lago, com árvores! Nossa, um visual muito bonito! Decidimos que iríamos ficar ali no fundo para descansar o almoço vendo a paisagem. Fizemos macarrão, comemos e fomos pra lá.

 

Minha primeira vez

Depois do almoço, lavamos a louça, guardamos tudo e… ops! Fiquei apertado! E agora? Ainda não tem banheiro na casa. Pensei: é agora… não tenho escapatória… chegou o temido momento de fazer o número dois sem privada!

Como o chão da casa ainda era de terra, acho que não seria problema adubar a terra, desde que deixasse bem enterradinho. Criei coragem, peguei a pazinha, o papel higiênico e fui buscar um cômodo em que me sentisse mais à vontade. Adivinhe qual escolhi? O banheiro!

Cavei o máximo que pude pra não ter perigo de ninguém encontrar o meu presente. Cócoras… e aí você já sabe como é, né? Não preciso explicar… tapei bem tapadinho e tentei deixar como se ninguém tivesse estado ali. Foi uma experiência tão estranha e tão boa! Foi um sentimento libertador. Senti como se estivesse quebrando com meu orgulho. Afinal, chega um momento na vida de qualquer pessoa em que ela pensa: não tenho nada nessa vida, mas pelo menos tenho um lugar honrado para defecar! Não era o meu caso… nem isso eu tinha mais.

Era o fundo do poço, não ter um lugar para fazer as necessidades. Agora eu era um andarilho, um zé ninguém. E isso era estranhamente libertador! Como me sentir especial, defender minha imagem, me fazer de forte, se nem um lugar pra defecar eu tenho? E o ego foi para a terra junto com os dejetos. Mas, ao contrário de seus companheiros, sei que o ego uma hora vai voltar… ele sempre dá um jeito de voltar. Além de me sentir um zé ninguém, também acabara de fazer o que mais tinha medo na viagem, que era de ter que ir no mato. Apesar que, tecnicamente, não era mato… mas tá valendo! Se consegui fazer isso, e foi natural, então podia fazer qualquer coisa a partir de agora!

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  • Julio Cesar S.

    É isso ai, parabéns pela coragem de deixar parte de vc num local desconhecido, rsrs.
    Mas sacanagem heim!
    Vão acabar achando o seu presente e pensar… ué, quem deixou isso aqui?
    Interessante o sentimento libertador que foi khrr sem vaso.
    Vc disse que: “o ego foi para a terra junto com os dejetos”, relaxa, ele volto logo e espero que não volte acompanhado do cheirinho.
    Muito bom acompanhar as aventuras de vcs.
    Boa viagem e muitos e muitos nºs 2 por ai, rs

    • Hahaha!!! Rimos muito aqui lendo o seu comentário! 😀
      Valeu, abração pra você!