Conhecendo a família da Veridiana e do Diogo – #08

Uma parada inesperada

Depois da pausa para resolver essas questões fisiológicas e filosóficas (veja aqui), seguimos pela estrada. Mais pra frente, passamos direto em um entroncamento que deveríamos ter virado. Estávamos usando o navegador de um aplicativo para celular e ele não nos avisava com nenhum som quando era hora de virar. Tínhamos que ficar esperto e olhando de tempo em tempo. Mais tarde, erramos outra virada, e outra… isso foi nos minando… Até que, quando estávamos voltando para o caminho certo em uma dessas viradas que não viramos, percebemos uma placa apontando para o que parecia ser uma pousada ou algo assim: era o Recanto da Natureza. Já era umas 16:30, tínhamos percorrido só uns 20 quilômetros e nossos miolos já estavam bem queimados pelo sol. Lá tinha um gramado em frente com uma árvore e um lago. Decidimos ir até lá para tentar um lugar para descansar e passar a noite. Deixaríamos para seguir no dia seguinte para a casa da Veridiana.

Itoupava CentralChegando lá, descobrimos que era um pesque-pague/restaurante. O restaurante abre apenas aos domingos e passa o resto da semana fechado, apenas com o pesque-pague. Tinha uma lagoa linda, com um gramado verdinho e uma árvore. Era recuado da estrada de terra e parecia bem seguro. Lugar muito convidativo para passarmos a noite. Conhecemos o proprietário, um alemão chamado Ralf. Prontamente falou que poderíamos armar a barraca no gramado embaixo da árvore e passar a noite por lá, falou que poderíamos tomar banho em uma dos apartamentos que ele tinha ali. Avisou também que havia um portão que ele iria trancar, assim iríamos estar ainda mais protegidos. Por falar em proteção… percebemos que havíamos esqueci nossos capacetes em Pomerode!

– Ah, agora deixa pra lá! Depois a gente vê o que faz!

Assim que nos acomodamos com a barraca e tudo o mais, enviei uma mensagem para a Veridiana avisando que não iria conseguir chegar no mesmo dia. Teríamos que deixar para seguir no dia seguinte. Como resposta ela enviou a foto de uma cama limpinha, com as roupas de cama em cima, travesseiro… Huuummmm… parecia estar bem gostosa aquela cama. Falamos para deixar ela assim que amanhã iríamos ficar lá, se não tivesse problema.

 

Finalmente chegamos!

No dia seguinte, demoramos muito para desarmar o acampamento porque o terreno era muito duro e os espeques ficaram muito bem presos. Foi um custo tirar! Lá pelas 10:00, saímos em direção a Itoupava Central. Ainda bem que decidimos parar porque ainda estava muito longe. Passamos na periferia da cidade de Blumenau, com muitos carros, muitas viradas para errarmos. E a gente errou algumas… e isso cansa psicologicamente. Uma coisa legal foi que algumas pessoas nos perceberam e ofereceram água. Depois de uma viagem estressante, finalmente chegamos na casa da Veridiana.

Chegamos lá, demos um passo para dentro do quintal e a Maya fez um cocozão! (que vergonha…) Ela estava meio chateada desde que começamos a viagem. Ainda não tinha se adaptado. Era como se ela estivesse o tempo todo esperando para chegarmos ao destino e nunca chegava… há dezesseis dias! E finalmente, parece que ela se sentiu em casa e relaxou! Também, não tem nem como não se sentir assim com esses anfitriões. Nós nos sentimos em casa mesmo antes de chegar e, uma vez que chegamos, ficamos super à vontade. Conhecemos o Diogo, marido da Veridiana e seus filhos. Conhecemos também a Cacau, uma labradora de três meses de idade e as 3 gatinhas. Como a Maya tinha recém tomado um ataque na cara, ao invés de sair correndo atrás das gatas, optou por uma abordagem mais cautelosa. Chegou devagarinho, pé por pé até chegar pertinho de uma das gatinhas e… tomou outra unhada na cara! A partir daí, ficou ainda mais receio de chegar nas gatinhas. Mas… de vez em quando tinha algumas recaídas.

Depois do jantar delicioso, comentamos com eles que havíamos esquecido nossos capacetes em Pomerode e que teríamos que seguir sem no dia seguinte. Na mesma hora o Diogo falou que iria com a gente lá para buscar. E nós respondemos:

– Nossa! Não tem nem como, é muito longe!

Realmente, havíamos levado dois dias para chegar até ali e foi bem cansativo… Ao que ele responde:

– Que nada, é meia hora daqui! Vamos lá!

Nossa percepção de distância estava distorcida pelas longas pedaladas. De carro era muito perto mesmo! O problema é que já era muito tarde: dez horas da noite. Mesmo assim, ele insistiu e fez a grande gentileza de nos levar lá, pegar os capacetes e trazer de volta. Depois que chegamos de volta, começamos a fazer o roteiro para o dia seguinte. Mas acabou ficando muito tarde para acordarmos cedo no dia seguinte e pedimos para passar mais um dia. Ficamos e o dia seguinte foi ótimo, conversamos muito e pudemos conhecer um pouco mais sobre essa família tão especial.

Itoupava CentralSentimos o quanto os dois amam seus filhos e fazem tudo para lhes oferecer a melhor educação do mundo. Mas não do jeito tradicional. Estudam sobre o tema e questionam e repensam a estrutura de educação atual. Por isso, parece que tudo na vida deles é pensado para oferecer aos filhos um ambiente de aprendizado prazeroso.

Por exemplo, os meninos assistem filmes no idioma original, em inglês. E, como eles gostam de assistir ao mesmo filme várias e várias vezes, acabam aprendendo e se habituando ao idioma. No computador, o filho mais velho brincava com um jogo de estratégia que trabalhava com a teoria da evolução. Eles fazem muitas experiências de física com os meninos, por exemplo. Viajam para lugares que possam explorar e aprender sobre biologia, geografia, etc.

Enfim, a todo tempo estão incentivando o aprendizado de seus filhos de uma forma natural e divertida. Foi muito bonito de ver e um grande exemplo e inspiração para nós.

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  • Luiz Fernando de Oliveira

    Que bacana! A paciência de vocês é exemplar… Vão longe assim hein!?