Despedidas e chegadas: o salto do trapezista – #06

Depois de conhecer a Festa Pomerana, voltamos ao apartamento da Ariana. Ozzie e Maya haviam ficado lá dentro e, assim que chegamos levamos os dois pra dar uma voltinha e se aliviarem. Eveline já tinha voltado com o Ozzie para o apartamento e eu continuei andando com a Maya até que, de repente, surgiu um gato das sombras. Correu na nossa direção e deu uma unhada na cara da Maya, que pulou no meu colo apavorada! Voltamos para o apartamento e fizemos curativos. Nos preparamos para partir no dia seguinte e dormimos.

Esse seria o prelúdio de um outro encontro com gatos, que ainda não sabíamos, mas que aconteceria dali a dois dias. A Maya nunca tinha sido acostumada com os felinos e, talvez por isso, parecia os detestar. Sempre que tinha oportunidade corria atrás dos bichanos. Mas esse gato doido fez com que a Maya pensasse duas vezes antes de correr atrás de um deles de novo.

No dia seguinte (13 de janeiro), acordamos cedo, arrumamos as coisas e conseguimos sair lá pelas 09:00. Alguns dias antes, havíamos pedimos ajuda pela internet (no grupo Pedala Blumenau) para conseguir pouso ou alguma dica de onde passar a noite em Vila Itoupava, um distrito de Blumenau localizado a 25 quilômetros de Pomerode. Nossa ideia, uma vez que havíamos desistido de percorrer o Circuito do Vale Europeu, era seguir direto para o litoral. Assim, a lógica seria seguir em direção ao leste. E, portanto, a primeira parada deveria ser Vila Itoupava.

 

Um pequeno ajuste de rota

Após publicarmos o pedido de apoio no grupo, várias pessoas se manifestaram: se ofereceram para ajudar, compartilharam e deram dicas. Foi incrível ver tantas pessoas empenhadas em tentar nos ajudar. Uma delas nos chamou a atenção: era Veridiana, que se mostrou bem disposta a nos receber. O único problema é que sua casa era em Itoupava Central, um bairro mais ao sul, o que nos obrigaria a desviar da rota que tínhamos traçado até o litoral.

Pela Vida Afora - Porteira - Despedidas e chegadasMas, como acreditamos que o melhor é sempre deixar as coisas fluírem naturalmente, da forma como vão acontecendo, decidimos mudar a rota para conhecer Veridiana e sua família. Seria uma distância maior até chegar lá e teríamos que voltar para o sul, na direção de Blumenau, de onde havíamos saído para chegar em Pomerode. Mas tudo bem. Só não queríamos passar pelo mesmo caminho da vinda. Portanto, decidimos seguir por estrada de chão. o que seria bom também para conhecermos esse tipo de terreno.

 

O salto do trapezista

Já estávamos trocando mensagens com Veridiana, que estava sendo muito atenciosa e prestativa. Estávamos ansiosos por conhecê-la. Mas por enquanto, às nove horas da manhã, era chegado o momento de deixar a casa da Ariana e seguir viagem. Havíamos convivido com ela e seu filho Kayo por 10 dias e nos tornamos amigos. E agora chegara a hora da despedida. Como sempre, um momento difícil e que ainda não aprendemos como lidar.

Seguimos nosso caminho em direção à estrada e experimentamos um misto de sentimentos. Estávamos tristes por ter que despedir da Ariana e do Kayo. Mas, ao mesmo tempo, estávamos animados com a perspectivas de conhecer Veridiana e sua família. Ultimamente, temos experimentado essa mistura de sentimentos com relativa frequência. É como a sensação da viagem em si: a tristeza de abandonar nossa casa em Floripa (onde adorávamos viver) e a alegria de partir em uma viagem libertadora e que queríamos muito fazer.

Em nossa viagem, geralmente nos despedimos de onde estamos e seguimos em direção à próxima cidade sem saber onde iremos dormir ou quem iremos encontrar. Assim é a vida, muitas vezes, temos que abrir mão do que nos é familiar, confortável e seguro e nos lançar em direção a algo incerto e que ainda não conhecemos. Como um trapezista que, tendo se lançado ao ar, voa e aguarda em suspenso pelo encontro com seu parceiro, que o conduzirá ao restante de seu caminho. Muitas vezes, nos lançamos em direção a algo (ou alguém) que ainda não podemos ver. Mas que certamente, quando for chegado o momento exato, estará lá para nos receber e nos acompanhar até o próximo salto.

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