3 erros básicos do cicloturista de primeira viagem – #04

Vacilos do primeiro dia

Pela Vida Afora - Blumenau - Hora de partirApós 27 km percorridos debaixo de muito sol, chegamos em Pomerode. Essa foi a primeira vez que fomos de uma cidade a outra de bicicleta e também foi a nossa maior quilometragem até então. Ainda não tínhamos tido esse contato com a estrada e isso nos fez dar algumas vaciladas feias.

Chegamos em Pomerode sem saber onde ficar. Perguntamos a algumas pessoas onde tinha um camping para podermos passar a noite, mas ninguém conhecia. Lembrei de um vídeo que assisti do pessoal do Turismo Pé de Chinelo, em que eles ficaram no pavilhão de eventos da cidade e percebemos que estávamos bem na rua desse pavilhão. Fomos até lá e falamos com o Silvano, que prontamente conseguiu um lugar para passarmos a noite e tomar banho. Depois do banho, o corpo relaxou e vimos o quanto estávamos cansados e com a pele toda vermelha, queimada pelo sol. Aí percebemos nosso primeiro vacilo!

Vacilo 1: Não passar protetor solar

Quando saímos de Blumenau o tempo ainda estava nublado e não passamos protetor solar. No meio do trajeto, abriu um sol de rachar e mesmo assim, nem demos bola para o protetor. O resultado foi a pele toda queimada já no primeiro dia. Para piorar, pedalamos com camiseta de manga curta e bermuda. Imagina a marca linda que ficamos!

Vacilo 2: Não beber água o suficiente

Outro vacilo do primeiro dia é que não bebemos água o suficiente. Na verdade, a gente até parava para tomar água. Mas acho que por não estar acostumados com as garrafinhas com bico de squeeze, acabamos bebendo muito menos do achávamos. A gente tomava poucos goles e achava que era o suficiente. Fazia muito calor e o tempo estava muito úmido. Isso somado à prática de exercício físico (pedalada) e está formado o cenário perfeito para uma desidratação.

Vacilo 3: Não se alimentar bem

Durante o trajeto, não levamos nada pronto para comer. Não tínhamos uma barrinha de cereal, uma fruta, um amendoim, nada! Só tínhamos levado uns biscoitos cream cracker que foram nosso café da manhã. Comemos eles lá pelas seis horas da manhã, uns 30 minutos (6 km) depois que saímos. Pra piorar, fomos almoçar só às 15:00 e comemos um delicioso m-i-o-j-o (isso mesmo, miojo!). Aí você pensa: mas de noite vocês compensaram e jantaram bem? Então… não jantamos… comemos um copo de granola cada um. E foi só. Nossa alimentação do dia em que batemos nosso recorde de distância até então foi alguns cream crackers, um miojo e um copo de granola. Mas nada disso foi de caso pensado. Como estávamos preocupados com outras coisas, já que estar na estrada já era novidade o suficiente para nós, acabamos nos descuidando desses “detalhes”.

Consequências

Pela Vida Afora - Pomerode - 3 erros de um cicloturista de primeira viagemNo primeiro dia dormimos bem e logo cedinho saímos para o próximo destino, que seria Rio dos Cedros. Pedalamos acho que não deu nem 1 km até a praça no portal norte de Pomerode, achamos linda a pracinha e paramos para tirar algumas fotos. Mas o banquinho da praça estava me chamando. Fui direto nele, me sentei e as fotos ficaram para depois. Ah que confortável!! Olhei para o Daniel, ele olhou pra mim e estávamos pensando a mesma coisa: não iríamos conseguir continuar. Nosso cansaço estava diferente, não era um cansaço apenas por ter feito esforço físico. Era um desgaste, uma fadiga tão grande que aquele simples percurso do pavilhão até a praça nos esgotou. Nossa energia e vitalidade estavam baixas.

Nessa praça também fica o atendimento de apoio ao turista e o Daniel conseguiu lá a informação de um hostel que aceitava cachorro: o Hostel Dina. Quando ele veio me contar, eu fiquei tão aliviada! Primeiro porque não é fácil encontrar hospedagem que aceite cães e depois, porque eu estava realmente muito cansada para seguir viagem. Fomos até lá e a proprietária, Dina, nos recebeu de braços abertos.

Pela Vida Afora - 3 erros de um cicloturista de primeira viagemLogo na entrada do hostel tem uma subidinha meio nervosa e Daniel e eu não estávamos conseguindo empurrar as bicis até o final da subida. A Dina veio me ajudar e acabou levando minha bicicleta sozinha!! Aí percebemos o quanto estávamos enfraquecidos. Tomamos banho e o corpo pesou. Acho que ficamos com insolação e/ou desidratação. Não nos deu febre, mas foi um cansaço tão intenso que demoramos uns três dias para começar a nos sentir mais bem dispostos.

Em um dia em casa, nosso comportamento seria ok. Eu não costumo beber muita água e como miojo em várias refeições e no entanto, não fico mal no outro dia. A questão é que na estrada, o ritmo tem que ser outro. Os cuidados com alimentação, água, vestimentas, e aí vai… têm que ser tratadas de forma mais disciplinada. Ainda temos muito o que aprender!

Fizemos um vídeo para contar como foi essa experiência:

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  • Ivina Costa

    Lembrem de dar água e comida pros cães tb!!!

    • Obrigado pela preocupação, Ivina. Eles são sempre nossa prioridade. Paramos de hora em hora para hidratá-los e, regularmente, para alimentá-los.

  • Ivina Costa

    Sério! Vcs saíram p fazer cicloturismo e nunca leram nada a respeito p se preparar, 27km vcs tinham que tá fazendo todo dia sem nem sair da sua cidade!? Busquem mais informações, mesmo, vocês podem morrer no caminho, não é brincadeira! Mas tô torcendo por vcs!

    • Olá, Ivina! Obrigado pela mensagem. Nós lemos sim, estudamos muito a respeito antes de viajar, só não nos preparamos fisicamente antes, o que foi uma decisão consciente (para poder relatar as experiências e primeiras impressões de dois iniciantes em bicicleta). Mas o que estamos tentando mostrar com o texto e com o vídeo é que só ler e saber na teoria não é suficiente. É preciso também fazer, ter disciplina. Mas isso só se aprende na prática, que é o que compartilhamos com todos por meio desse texto. Quanto a ter que fazer 27 km todo dia, isso não era necessário no nosso caso. Entendemos que isso só faz sentido em viagens curtas, com prazo preestabelecido ou de turma (pra não atrapalhar os outros). Em uma cicloviagem longa como a nossa não faz muito sentido se falar em preparação, já que os primeiros meses, certamente serviriam de preparação. Como de fato aconteceu. Hoje, depois de 2 meses de viagem, conseguimos fazer 27 km sem nem perceber, só passeando dentro de uma cidade. E na estrada temos feito facilmente próximo a 50 km e sentimos que, se quiséssemos, poderíamos fazer mais. Obrigado por nos acompanhar e torcer por nós! Abração!

  • Luciana Caldas Zetun

    Vocês adquirem condicionamento enquanto pedalam, mas 27 quilômetros não acho motivo para o desgaste imenso ( Se foi só morro até tem como justificar). Talvez tenham que rever o peso que estão carregando.

    • Ééééé, Luciana! Vida de iniciante é assim! Lembra quando você começou a pedalar? É assim mesmo. Pra iniciante 27 km é distância pra caramba. Hehehe! 🙂 E não tinha morro nenhum não! Era tudo planinho, planinho! Hehehe! Pior que não temos nem essa desculpa do morro! isso tudo é porque, quando começamos a viagem a gente praticamente não andava de bicicleta nem praticávamos nenhum exercícios físico (estávamos bem sedentários). Somos realmente iniciantes. Tanto é que precisamos de umas 7 horas (incluindo as paradas) para conseguir percorrer os 27 km. 😀 De qualquer forma, atribuímos o maior desgaste à desidratação mesmo, aos erros que relatamos aí no texto. Se tivéssemos nos hidratado e alimentado, não acredito que tivesse sido tão difícil. Quanto ao peso, estamos revendo desde que começamos a viagem e já conseguimos tirar uns 5 kg.
      Como você disse, o condicionamento vem com o tempo. Tanto que hoje, depois de 2 meses de viagem, conseguimos fazer 27 km sem nem perceber, só passeando dentro de uma cidade.

  • Luiz Fernando de Oliveira

    Bem, escutei historias dessa passagem de vcs por Blumenau… Poderiam agradecer ao pessoal que ajudou…